Sem regulamentação, lei que estabelece reaproveitamento da água não sai do papel
Guarapuava possui um programa de conservação e uso racional da água, estabelecido por lei. Mas, em vigor há dois anos, o texto acabou não regulamentado e, portanto, está sem efeito. Entre as diversas medidas previstas está o reaproveitamento da água através de cisterna ou tanque para edificações com mais de 100 metros quadrados. A lei abrange as novas edificações construídas a partir de então, citando residências, postos de revenda de combustíveis, lava carros e quaisquer outras obras com mais de 100 m² de área construída. Esses novos estabelecimentos teriam de contar obrigatoriamente, já a partir da data em que entrou em vigor, com uma cisterna ou tanque para captar a água das chuvas do telhado. Ela seria então reutilizada em atividades que não demandem água tratada: regar jardins e hortas, lavar roupas, veículos, vidros, calçadas e pisos. Os prédios públicos municipais, estaduais ou federais, mesmo aqueles edificados antes da lei, também deveriam adotar o sistema. Os proprietários das edificações erguidas anteriormente ganharam prazo de dois anos para adequação que, em tese, terminaria em abril de 2013. Em tese, porque a lei não foi regulamentada, como explicou o secretário municipal de Habitação e Urbanismo, Flávio Alexandre. O titular da pasta, que era servidor da mesma por ocasião da criação da lei, conta que algumas questões técnicas contribuíram para que o município não a regulamentasse. “O primeiro problema estaria na obrigatoriedade, que aumentaria o custo das obras. E o segundo na dúvida sobre como seria cobrado o esgoto na água reutilizada”, contou. Por contrato firmado com o município, cabe à Sanepar prestar serviços de água e esgotamento sanitário. Conforme o documento, a companhia de abastecimento fixa o valor da tarifa de esgoto em percentual nunca inferior a 80% em relação à tarifa da água. Daí decorre a dúvida legal sobre a incidência da tarifa também sobre a água reutilizada, por ter o mesmo fim da água própria para consumo, fornecida pela mesma empresa. “Como vou saber se o esgoto é oriundo da água própria para o consumo, fornecida pela Sanepar, ou daquela reutilizada para não fazer a cobrança do esgoto sobre ela?”, apontou Alexandre. Sancionado pelo ex-prefeito Fernando Ribas Carli (PP), a aplicação da lei não foi discutida com a Sanepar. Como contou o atual secretário de Habitação, também não houve um debate técnico sobre os efeitos com associações ou entidades de classe ligadas a engenheiros e arquitetos. Apesar disso, Alexandre reconhece a importância do programa de conservação e uso racional da água. “Minha posição é de que precisamos regulamentá-la. É uma boa ideia fazer o reuso da água. Mas precisamos de uma discussão ampla”, comentou. |