O Dicionário Criativo quer revolucionar o mercado de dicionários online. Unindo pesquisa avançada em linguística computacional, parcerias com empresas e universidades, e contando com a cultura colaborativa da Web 2.0, o dicionário idealizado pelo pesquisador Felipe Iszlaji quer organizar a língua portuguesa com muita criatividade e uma pitada de ousadia. A ideia é construir o maior dicionário de analogias da internet, relacionando conceitos, palavras, locuções, expressões, provérbios, citações e imagens por campos semânticos e não por palavras-chave, como estamos acostumados.
A inspiração para o Dicionário Criativo foi o Dicionário Analógico da Língua Portuguesa do professor goiano Francisco dos Santos Azevedo, importante obra de referência para escritores e profissionais que trabalham com a língua e a linguagem. Chico Buarque, por exemplo, escreveu que esse dicionário muito o “ajudou no acabamento de romances e letras de canções”. E é essa também a ideia do Dicionário Criativo: ajudar escritores, compositores, jornalistas, publicitários, roteiristas e outros ‘criativos’ no momento em que estão produzindo suas obras. Só que dessa vez usando todos os recursos da internet e das novas tecnologias.
Com design inspirado em um cartãozinho de instruções do iPod shuffle, a interface e a usabilidade do site parecem ser outro ponto forte do produto. O dicionário será dividido em janelas dinâmicas, cada uma comportando um tipo de conteúdo linguístico. E poderão ser fechadas ou rearranjadas conforme a profissão ou o gosto do usuário. Essa arquitetura modular é essencial também para o modelo de negócios pensado pelo pesquisador-empreendedor. Boa parte do conteúdo estará disponível de graça, mas novas janelas com conteúdos de editoras, universidades e pesquisadores interessados poderão ser compradas individualmente, completando o Dicionário Criativo com conteúdos proprietários de qualidade. “É um excelente casamento entre conteúdo livre e conteúdo proprietário, um equilíbrio entre universalização e qualidade da informação”, diz o idealizador. “Hoje, boa parte do conteúdo está disponível, mas descentralizada e desorganizada. A ideia original do Dicionário Criativo era apenas agrupar e organizar esses conteúdos sob uma arquitetura semântica inteligente e criativa. Mas percebemos que há também muito conteúdo autoral de qualidade que pode ser adaptado para essa mesma estrutura e ser vendido por preços bem abaixo dos seus equivalentes em papel”.
A tecnologia que permitirá isso está sendo desenvolvida pelo pesquisador dentro de um doutorado em linguística computacional na Unesp e envolve pesquisas nas áreas de redes semânticas, léxicos computacionais e inteligência artificial. O Dicionário Criativo segue o caminho das startups de tecnologia, saindo de um projeto de pesquisa para uma incubadora de empresas tecnológicas, tendo um modelo escalável e com potencial de crescimento acima de 80% ao ano. No entanto, como na maioria das startups, o projeto precisa de um investimento inicial. Ainda que pequeno, esse investimento é essencial para que o projeto saia do papel e comece a chamar a atenção de investidores maiores. Para conseguir esse dinheiro, o Felipe colocou o projeto do Dicionário Criativo no site de financiamento colaborativo Catarse.me. A ideia é que qualquer pessoa pode adotar uma palavra do dicionário e ter o seu nome/ link associado à página de resultados daquela palavra.
Para conhecer mais do projeto, entre aqui na página da campanha e veja um vídeo com maiores explicações e um depoimento do escritor Marcelino Freire. Nos comentários da página você poderá ver também a repercussão do projeto na opinião dos internautas.