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Cabeamento subterrâneo aprovado pela câmara é considerado caro por especialistas

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Profissionais do setor de energia elétrica veem com ressalva a aprovação de uma lei nos moldes da proposta do vereador Geraldo Pacheco. Eles defendem a abertura de discussão ou mesmo o direcionamento da exigência para alguns tipos de loteamentos.

Para o gerente regional da CFLO (Companhia Força e Luz do Oeste), Dalessandro Mafei, a matéria carece de maior discussão. Segundo ele, a vantagem estética é interessante, mas é preciso analisar o custo da instalação subterrânea.

“Esteticamente, do ponto de vista urbanístico, fica agradável. O problema desses loteamentos será o custo da implantação do dispositivo, que é por conta do loteador e de quem vai pagar pelo lote adquirido. E a concessionária não tem padrão de atendimento para rede subterrânea”, comentou.

Segundo o gerente da CFLO, não há exemplos de loteamentos abertos em Guarapuava com a utilização de rede de distribuição subterrânea. Porém, há apenas um caso de condomínio fechado, o loteamento Piemont. Nesses casos, explica, a manutenção é feita pelos próprios condôminos. “Se der algum problema interno lá, a resolução fica por conta do próprio condomínio fechado. A concessionária se limita ao ponto de entrega, que é na chave de alta tensão, a saída do transformador. Dali para frente, a responsabilidade é deles. Se houver problema, foge do controle da concessionária”, afirmou.

Quando não se trata de condomínio fechado, Mafei cita o exemplo do Rio de Janeiro (RJ), onde há rede subterrânea no Centro da cidade. “Lá, quem dá a manutenção é a concessionária. Mas a tarifa é diferenciada, mais cara do que a praticada com rede convencional”, disse. Outro exemplo mencionado é o caso de Ponta Grossa, onde a prefeitura, através de agência de fomento econômico, uma autarquia municipal, aterrou a fiação e substituiu postes de iluminação pública em ruas do Centro da cidade.

O que encarece a tarifa, segundo o gerente da CFLO, é o custo de manutenção. “A energia subterrânea sai mais cara. Quando se trata de condomínio fechado, a responsabilidade sendo do condomínio, a tarifa é a mesma quando utilizada a rede convencional. Mas nos loteamentos abertos, quando fica a cargo da concessionária, trata-se de outra especialidade de manutenção. Por isso, ele defende ainda que o projeto precisa ser melhor debatido devido à possibilidade de encarecer o custo do lote.

“Se o proprietário vai comercializar um loteamento qualquer, ele instala a rede de distribuição – isso é previsto em legislação -, e embute nos preços dos lotes que está vendendo. Depois, ele doa essa rede para a concessionária, para que ela assuma e dê a manutenção. É assim que funciona. Salvo loteamentos para atender habitação de interesse social, caso em que a própria concessionária constrói as redes”, relatou.

O coordenador da Câmara Especializada em Engenharia Elétrica do Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), engenheiro eletricista Sergio Luiz Cequinel, também julga pertinente a avaliação dos custos advindos da obrigatoriedade da rede subterrânea. “Em média, o investimento é 10 vezes maior, podendo chegar a 20 vezes o valor de uma rede aérea, dependendo do tipo de rede e equipamentos utilizados”, comentou.

Para ele, um dos caminhos antes da proposta ser aprovada, é calcular os custos e verificar a viabilidade. “O custo principal ficaria na obra civil. Obviamente a concessionária irá exigir maior qualidade nos equipamentos em função de que a responsabilidade será dela nas questões de operação e manutenção. A vida útil de uma instalação como esta gira em torno de 40 anos se devidamente projetado e executado e com a utilização de equipamentos de primeira linha. A necessidade de intervenções em termos de manutenção para uma rede subterrânea é menor se compararmos a uma rede de distribuição aérea”.