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Bastidores de Lucas no PSG: adeus, jatinho, papo com sheik e dicas de Raí

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Jogador mais caro negociado pelo futebol brasileiro (R$ 118 milhões), em 8 agosto de 2012, o atacante Lucas teve cinco meses para se consagrar com o título da Copa Sul-Americana no longo adeus ao São Paulo e se preparar para a pressão de se tornar novo ídolo de um dos clubes que mais investiu para se reforçar na temporada europeia. O Esporte Espetacular acompanhou os bastidores dos últimos passos da joia do Morumbi no Brasil até o início da coroação como príncipe do Paris Saint-Germain, captando o esforço do jogador para honrar todos os compromissos, os conselhos que recebeu de craques consagrados e até um papo com o sheik dono do clube francês.

Lucas foi disputado até os 45 do segundo tempo no mercado europeu. O primeiro clube a se interessar pela joia do Morumbi foi o Inter de Milão. Depois, apareceram Chelsea e Manchester United, clube com o qual o São Paulo acertou uma transferência por 36 milhões de euros. Mas uma ligação de Leonardo, ex-jogador do São Paulo e do PSG, impediu que o contrato fosse assinado pouco antes do embarque do empresário do jogador para a Inglaterra.

- Quando o Leonardo me ligou, eu estava embarcando para Manchester, e ele disse que gostaria que o Lucas fosse para o PSG. Disse para ele: “Não tem como, Leo, só falta ele assinar com o Manchester, o São Paulo já deu o OK”. Ele falou que ia falar com o Lucas – explicou Wagner Ribeiro, empresário de Lucas, contando como o PSG iniciou o acerto por 43 milhões de euros, quase R$ 120 milhões.

Conselhos de Raí e Ronaldo

Raí foi outro ex-jogador do São Paulo e do PSG que entrou no caminho de Lucas. Num encontro em um restaurante francês, a joia do Morumbi ouviu do ídolo tricolor que o interesse do clube europeu em seu futebol era antigo.

- O Leonardo (diretor-esportivo do PSG) disse no ano passado para mim que já estava de olho, que os dirigentes queriam você – comentou Raí.

Durante o papo, Lucas se lembrou de uma conversa com Thiago Silva, zagueiro do time francês.

- O Thiago também me disse do projeto na Seleção. Pensei: “Só tem fera, tenho que estar neste time aí”.

Ainda sem se virar muito bem na língua francesa e com o paladar ainda bem brasileiro, Lucas chegou a pedir um bife à parmegiana com batata frita. O que rendeu brincadeiras de Raí.

- O próximo encontro agora é lá em Paris, fechado? Eu vou escolher a comida, não tem esta coisa de parmegiana – falou Raí.

A caminho do PSG, Lucas ainda recebeu mais conselhos de outro ídolo. Num encontro na Soccerex, em dezembro, o jogador ouviu recomendações de Ronaldo sobre a pressão de ser ídolo fora do país e se envolver com cifras tão altas.

- O mundo todo já viu, acompanhou, está se encantando com ele. É bom que um talento como esse vá conquistar o mudo lá fora, num desafio muito importante. Desejo toda sorte do mundo lá fora. E o dinheiro também, Lucas. É importante guardar o dinheiro – lembrou Ronaldo Fenômeno.

Chegada a Paris, com escala em Doha

Antes de chegar a Paris, Lucas passou por Doha, onde foi apresentado como reforço do PSG com status de ídolo em um cenário de cinema: o Museu de Arte Islâmica. Na escala no mundo árabe, teve um importante encontro, com o sheik Nasser El Khelaifi, presidente do clube francês.

- Ele acredita no nosso projeto. Sabe que para ser o melhor do mundo, não interessa só o dinheiro – falou o presidente do PSG, Nasser El Khelaifi, que acompanhou a apresentação.

Craque temperamental e principal jogador do PSG, o sueco  Ibrahimovic também deu seu recado para Lucas.

- Eu acho que ele não precisa de babá para se adaptar, ele já mostrou que tem qualidade para jogar na Europa, como já mostrou no Brasil. No campo, a gente não tem com que se preocupar. A qualidade dele é impressionante, é só dar tempo ao tempo – elogiou Zlatan.

Devidamente aconselhado, Lucas arrumou as malas e foi brilhar na Cidade Luz. E começou a arranhar o seu francês. Na van, passeando pelas ruas no primeiro contato com Paris como jogador do PSG, chegou a falar sozinho para praticar o sotaque. Depois, desembarcou e “conversou” com o busto de Paul Valéry, filósofo, escritor e poeta francês da escola simbolista. Em seguida, foi conhecer de perto a Torre Eiffel, principal monumento da capital europeia. Entre autógrafos na “paisagem mais linda que viu na vida”, disse que a ficha ainda não caiu.

- Ninguém pode tirar o nosso sonho. Vou lutar até quando eu puder para conseguir conquistar esse sonho de ser o melhor jogador do mundo. Se eu quero, eu posso. Se eu posso, eu vou correr atrás e vou conseguir.